Insegurança: Motoristas de apps divulgam locais onde mais são assaltados

Bandidos chamam vítimas pelo celular; grupo apelidou serviço de ‘assalto delivery’

Era pra ser uma manhã de trabalho como outra qualquer, até o motorista do aplicativo 99 Pop, Tarcísio Borges, 37 anos, receber um chamado para a Avenida Bonocô, em Salvador, e perceber a farsa: ele foi surpreendido por quatro homens, um deles portando uma arma de fogo. Mal havia começado o dia – era apenas 6h30 -, e o condutor já havia sido vítima de um assalto. Perdeu o carro e o celular, que paga até hoje.

“Eles falaram que se eu fosse até a polícia ia morrer. A sorte foi que meu carro estava no seguro, mas perdi o celular, que dividi em 12 vezes”, lamenta o motorista.

Desempregado, ele disse que apesar do trauma voltou a trabalhar um mês depois do ocorrido. “Eu só esperei o seguro devolver o carro e voltei pra pista, porque não posso largar minha fonte de renda”.

Algumas corridas de Uber do motorista João Ribeiro também terminaram em assaltos. O condutor trabalha no aplicativo desde junho do ano passado e já acumula oito ataques. Em uma das situações, relembra que foi parar em um local perigoso.

“Quando eu peguei a corrida, achei que era uma corrida normal, mas quando chegou em uma rua sem saída, os dois caras anunciaram o assalto”, relata João.

Ele e Tarcísio integram o grupo de 865 motoristas de aplicativos assaltados entre abril e dezembro de 2017. O número foi divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (Simactter) durante um protesto, que reuniu cerca de 200 pessoas, boa parte delas vítimas das ações criminosas e que resolveram apelidar o serviço de “assalto delivery”, já que os autores costumam “pedir a entrega” dos pertences dos motoristas através do celular.

Ainda nesta terça, a Simactter divulgou um mapa com as áreas onde os crimes foram mais frequentes. Os destaques principais são a região do Miolo, que inclui bairros como Valéria, Águas Claras, Cajazeiras (98 casos), além de Pau da Lima e Castelo Branco (134 relatos); e a maior parte do Subúrbio Ferroviário, entre Ilha Amarela e Fazenda Coutos, com 226 registros.

Os bairros vizinhos ao Cabula (165 casos), além do CIA (157 registros), Liberdade (114), Bonfim (102), Itapuã (93) e Brotas (70), também aparecem em destaque nas manchas criminais divulgadas pela associação.

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